quarta-feira, 9 de maio de 2012

Zumbidos e os Transtornos Psiquiátricos

Quem de nós nunca percebeu um "barulhinho" desagradável no ouvido? Pode ser constante ou aparecer de vez em quando, mas incomoda. Esse "barulhinho" recebe o nome de zumbido. É um sintoma muito comum na prática clínica e afeta 10 a 15% da população adulta.

O que é o zumbido? É a percepção de um som dentro da orelha ou da cabeça na ausência de estimulação acústica externa. Pode ser de diversos tipos: uni ou bilateral, pulsátil ou não pulsátil, contínuo ou intermitente.

Os zumbidos tendem a aumentar sua prevalência com o aumento da idade. Porém, ao contrário do que se pensa, os zumbidos podem acometer pessoas de todas as idades, inclusive crianças. Um mito bastante difundido é de que os zumbidos só acometem indivíduos que têm perda auditiva. Isso não é verdade. Pacientes com audição normal também podem se queixar de zumbidos.

Como surgem os zumbidos? Os zumbidos podem surgir por alterações musculares, vasculares, exposição a agentes ototóxicos, uso de medicações, erros do metabolismo, mau funcionamento da ATM (articulação temporo-mandibular), exposição a ruídos, uso abusivo de cafeína, álcool e nicotina, por doenças orgânicas (Diabetes Mellitus, Hipercolesterolemia, Hipertrigliceridemia etc.), por tumores e por transtornos psiquiátricos.

Do ponto de vista clínico, o zumbido pode adquirir associação negativa pelo fato dos pacientes relatarem com frequência "sentimento de perigo", "medo do desconhecido"; referências negativas como "isso não vai acabar", "não tem cura", "você terá que aprender a conviver com isso". Infelizmente um aconselhamento negativo é o fator mais comum, sendo um dos gatilhos para o desenvolvimento e manutenção do reforço negativo. Em consequência, os pacientes passam mais tempo monitorando seu zumbido e apresentam problemas de atenção, sono, concentração, irritabilidade e problemas no trabalho.

Os zumbidos têm sido frequentemente relacionados a vários transtornos psiquiátricos. Mas por que pacientes com zumbidos apresentam tantos transtornos psiquiátricos? Qual a relação entre eles?

Uma das explicações encontradas para a concomitância de zumbidos e os transtornos psiquiátricos seria a participação dos neurotransmissores, sobretudo da Serotonina. Esta, além de promover a regulação do sono e do humor, está presente em todo córtex auditivo primário, desencadeando através de seu desequilíbrio, alterações na percepção sonora, ou seja, zumbidos.

Outro neurotransmissor envolvido é a Noradrenalina. É absolutamente verdadeiro que o estresse piora os zumbidos. O incômodo causado pelo zumbido também representa um fator estressor ao organismo. A região cerebral envolvida na resposta ao estresse inclui o hipocampo, a amígdala, o cíngulo e o córtex pré-frontal. Enquanto a amígdala tem papel nas respostas de medo condicionadas, o sistema adrenérgico exerce um papel crítico no estresse. A exposição a estressores resulta na liberação de noradrenalina por todo cérebro. A noradrenalina que é secretada pelas fibras noradrenérgicas que inervam a cóclea pode causar ativação das células ciliadas na ausência de som, ou seja, zumbidos.

Sabendo que pacientes com ansiedade e depressão tendem a apresentar níveis alterados de serotonina e noradrenalina, fica mais fácil entender porque existe uma alta prevalência de pacientes deprimidos e ansiosos que se queixam de zumbidos.

Então, se você sofre de zumbidos e não foram encontradas causas e/ou eles não melhoram seria bom que pensasse em fazer uma avaliação psiquiátrica, pois a maioria dos pacientes com queixas de zumbidos desconhece possuir um transtorno psiquiátrico. Isso obviamente leva a ausência de tratamento específico e a manutenção do seu sofrimento.

CURIOSIDADE: Você sabia que várias personalidades sofreram de zumbidos? Jean Jacques Rousseau, Goya, Eric Clapton, Barbra Streisand, Thomas Edison, Charles Darwin, Oscar Wilde, mas, sem dúvida, Beethoven e Vincent Van Gogh se destacaram pela intolerância e sofrimento causados pelos zumbidos. Beethoven declarou: "Minhas orelhas assobiam e zumbem constantemente de dia e de noite. Eu posso dizer que estou vivendo uma vida miserável". Já no caso de Van Gogh, especula- se que ele teria cortado sua orelha por não aguentar mais seus zumbidos.


2 comentários:

Camila disse...

Interessante a matéria. Embora eu tenha transtornos psiquiátricos, não sou atormentada por este sintoma. Ainda bem!

Camila disse...

Aproveitando, estou seguindo o seu Blog! Se quiser me seguir, meu Blog é www.borderlinequebrandosilencio.blogspot.com

Até breve!
Bjs

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